Na escola, Alvinho foi solicitado a produzir um texto que contasse sobre alguem, um livro, um filme... que tivesse grande influência sobre a formação dele, suas escolhas... Bem, ele escreveu, Zula leu, mandou por email e eu pedi autorizacao para publica-lo aqui.
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Um livro, uma história e o mundo inteiro
A mente voando, o mundo girando, eu passo mais de uma hora olhando a última página do livro O Pequeno Príncipe. Então eu lembro do dia em que o recebi da minha tia Regina. Quando ela me contou a história pela primeira vez eu me senti como o pequeno príncipe, pequeno e imaginativo com o mundo inteiro para descobrir. Minha tia me introduziu ao mundo dos livros e a tudo que eu poderia aprender com eles. Na casa dela havia estantes do chão até o teto preenchidas com velhos livros de capa dura, empoeirados e de todos os gêneros e línguas.
Ela definitivamente amava a literatura e a todos os outros tipos de arte. Meu irmão e eu costumávamos ir com uma considerável frequência à sua casa e essa era a faísca de fantasia na semana. Lá havia uma caixa cheia de brinquedos do último século com os quais eu brincava por horas. Depois disso, tendo-nos ao seu redor ela costumava contar histórias que eu lembro até hoje. No final do dia, pra não desobedecer a rotina, comíamos um pouco de torta e ela me deixava levar um livro da estante. Na hora de ir embora, eu implorava para minha mãe para voltar no dia seguinte.
Estou absolutamente certo que foi durante essas tardes que eu desenvolvi minha paixão pelas artes. Foi a motivação da minha tia, mais que qualquer outro fator, que me faz amar a leitura. É com música, literatura e artes que estou aprendendo as coisas mais extraordinárias da vida. Aprendi sobre o amor, o sentimento mais profundo, complexo, simples e que deveria guiar nossas decisões e escolhas. Aprendi sobre o conhecimento, que deve ser sempre bem-vindo e há de ser sempre útil. Aprendi sobre justiça, que nunca sera perfeita até se juntar ao respeito. Contudo, foi diretamente com a minha tia que aprendi que nunca sabemos tudo. Há sempre algo de novo para aprender. Quanto mais fundo nós cavamos na arte do saber mais afogados ficamos na arte do não saber.
Alguns anos atrás minha tia faleceu, deixando uma enorme riqueza em livros. Ela costumava carregar um livro para todo lugar. Eu trouxe O Pequeno Príncipe comigo no avião quando vim para os EUA e quando o releio eu percebo mais um detalhe, o vejo com um olhar diferente. Pra mim, isso mostra como a gente evolui com o passar do tempo. Eu desejo que um dia eu consiga reunir tanto conhecimento quanto minha tia e transformar isso em felicidade assim como ela fez com a vida de todos ao redor dela.
Alvinho
Houston, 2011
17 comments:
Que lindo!! Tia Regina plantou uma sementinha que desabrochou e que podemos ver neste lindo texto muito bem escrito! Emocionante! E nos faz pensar como é importante darmos um bom exemplo, ensinarmos algo em vida, o que tivermos de melhor, pois assim, continuaremos sempre vivos!! Beijos
Que lindo, tudo muito lindo, o texto do Alvinho sobre a Regina e a foto do Vitor com BBBenicio. Bjs, Norma
Ps- nem acredito que fui a primeira!! Milagre! hahaha
Os livros, as histórias, as palavras e as flores (coloridas).
Que texto lindo!
Beijos, Bel
:)
Nem li de novo, pois iria chorar outra vez, deixa para outro dia...
Parabéns !!
Beijo grande, saudades,
Tia Vi
Sim, sim!
Muito lindo.
Claro que nem precisei ler a segunda linha para estar em lágrimas.
De fato, exemplo é tudo.
E que possamos continuar lembrando de minha tia Regina com saudade dos momentos que tivemos com ela.
bjs
Lara
Cati, que lindas palavras! Entendo bem o que ele sente pois o meu pai foi e continua sendo para mim o grande mestre da literatura, assim como a sua tia Regina. Bjs Tata
... sem muitas palavras.... e sim lágrimas, saudades, e muito orgulho do meu primo artista tão FORMOSO! Como dizia minha mãe!
Parabéns mãezinha!
Esta herança é infinita, dá para todos e será eterna. Isto nos deixa muito felizes. bjs, tia lena
Oi Cat,
o Alvinho, que não me lembro muito dele, porque na minha memória todos lá do Carmen Miranda estão juntos na foto, mas ele descreveu tão bem como era estar com vocês, que me senti naquela mesa verdinha de fazenda, laricando aquela tortinha, rindo dos diálogos mais insólitos com Rosalice, de vez em quando Regina aparecia pra puxar conversa, depois sumia pra dentro da casa e reaparecia, com outro assunto, um livro, uma história curiosa, um paradoxo, uma injustiça pra contar, sabe, o 1º livro de Cassiana foi ela quem deu, tanto carinho, não dá pra botar um ponto final, então...
Certa vez, eu e Regina fomos visitar um recém-nascido, não me lembro quem. Perguntei:
- Que presente vamos levar?
- Um livro, respondeu sem hesitar.
- Mas el@ ainda é um bebê!
- É pra ir acostumando...
Assim ela concluiu o diálogo.
Décadas depois, nasce Davi, nosso primeiro netinho. Fui à maternidade munido do livrinho "Lili, a lagarta".
Entreguei o livro a Ana, dizendo:
- É o presente que Regina daria ao seu primeiro neto (Ana acaba de me confirmar essa conversa). Hoje isso é muito comum pois já existem livrinhos de plástico que os bebês lêem, ou melhor, mordem, até quando estão na banheira.
É pra ir acostumando...
Fica a sugestão pro Alvinho escrever um livro infantil:
"O menino que mordia letras"
...e engolia palavras :)
Vitor, sua historinha me encheu de lágrimas de novo... aliás, todas as historinhas e comentários e lembranças, cada um tem a sua e é lindo podermos compartilhá-las...
Beijos em todos...
Acho que nem comentei que a foto do seu neto bochechudo te olhando está demais !!!
Vi
Só esqueci de registrar - gente, ela me ensinou a ler - aos quatro anos... enquanto ensinava adultos a lerem... é muito lindo, ne´?
Pois eh, Castle, era assim mesmo la em casa... ainda bem que ninguem lembra das brigalhadas com ou sem visitas, hihi. Ou a gente tava feliz, ou em pe de guerra e as visitas sempre participavam de todos os momentos:O
Ela deu o primeiro livro de muita crianca. Nao so o primeiro como o segundo, terceiro... era sempre livro. Lembro de ouvir comentarios do tipo: "sua mae, hein, so gosta de dar livros, ela nao gosta de brinquedo, nao?" e eu respondia: "eh porque ela gosta de ser diferente..." Eu era pequena e nao sabia da historia do ir acostumando.
O espaco aqui eh aberto para lembrancas, passado, presente, futuro. Quem quiser registrar alguma coisa, eh so falar;)
BEIJOS!
O livro preferido de Benicio eh do "Bebe Maluquinho". Eu comprei 2 e ele ganhou mais um da mae de Alvinho:)
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