7.7.15

Um dia normal


Ha nove anos atras, uma sexta-feira, nos encontramos no Restaurante Extudo para almocar e comemorarmos os seu aniversario. Como sempre, voce chegou antes da gente, mesmo tendo saido de Lauro de Freitas. Eramos apenas eu, voce, meu pai, Ze e Ana, mas ja dava para fazer uma bela festa!
 
Depois do almoco cada um foi cuidar da vida e nos dois voltamos para a Carmem Miranda, voce tirou um cochilo e no final da tarde fomos na casa de sua mae para ela lhe dar os parabens e te entregar o presente do seu avo.
 
Esse ano voce nao quis fazer festa, mas os seus amigos queriam te ver e marcaram de se encontrar no Porto Brasil. Quando chegamos la voce me fez contar para todo mundo que eu estava tirando um visto de noiva para ir para a Australia, que voce me achava muito louca, mas tambem me achava muito corajosa. Voce, que nao conseguiu morar em Brasilia porque era longe da familia e dos amigos, nao entendia como eu podia escolher ir para o outro lado do mundo.
Eu poderia ter ficado mais tempo no Porto Brasil, mas resolvi voltar para casa para assistir ao ultimo capitulo da novela das oito, que eu nem acompanhava e da qual eu nem lembro mais o nome.
 
Essa foi a ultima vez que eu te vi.
 
Na segunda-feira, a noite, voce me ligou. Ia viajar na manha seguinte e estava preocupado com o seu avo que estava no hospital, tava com medo de acontecer alguma coisa. Eu podia ter conversado mais com voce, mas desliguei poque queria assistir ao primeiro capitulo da nova novela das 8, da qual eu tambem nao lembro o nome, so lembro que era do autor Manoel Carlos. Esse foi o primeiro e unico capitulo que eu assisti da tal novela.
 
Essa foi a ultima vez que nos falamos.
 
No dia seguinte as nossas vidas mudaram para sempre.
 
A minha vida, que ate aquele dia sempre tinha sido tao normal, virou um roteiro digno de novela. Eu me lembro de todos os dias rezar pedindo a mesma e unica coisa - a minha vida de volta – aquela vida bem normal, as vezes ate sem graca, as vezes ate ordinaria.
 
***
 
Desde 2006, o dia 07.07 passou a ser um dia em que coincidentmente, sempre aconteciam coisas especiais. Uma viagem, um ultrassom para ouvir um coracaozinho batendo, uma visita esperada, uma surpresa inesperada. Essas coisas aconteciam sem eu planejar e me deixavam bem feliz.
 
Esse foi o primeiro ano em que eu fiquei esperando para ver o que ia acontecer de especial.
 
Mas o dia aqui passou e foi como qualquer outro dia: sair de bicicleta com Bonnie e os meninos, leva-los na Biblioteca, decorar umas garrafas e latas para a festa da escola de Benicio, jantar, banho e pronto. Tudo normal. E so agora, escrevendo isso, me dou conta de como o normal tambem pode ser especial.
 
Por uma vida mais ordinaria, feliz aniversario, irmao querido!


Que onde quer que voce esteja tenha muitas flores e que voce consiga sentir todo esse amor que um dia voce plantou por aqui, por ali e que continua vivo em qualquer lugar.

11 comments:

Juju said...

Que coisa mais linda daqui-dali-de qualquer lugar, Caticati! Lembro tanto desse 07.07.06, de chegar diretao da rodô (voltando do trabalho em Feira) pro boteco da pituba, lembro de ser final de novela, do contexto todo de meu avô, das últimas ligações.. Dói apertado, vem choro emocionado...
Obrigada, Caticati linda e Feliz dia do
Irmão querido!

Anonymous said...

ai Cati, como você faz a gente chorar assim????? lágrimas e sorrisos, saudade e muita alegria por tudo que foi vivido.

Anonymous said...

Cati,
Que lindo e emocionante o seu relato!
Todos os 07/07, por mais normais que sejam, serão sempre especiais, lembrados com saudade e cheio de boas recordações.
Beijos
Tia Adélia

Fafau said...

Issaí! :)
Eu já sou chorona mesmo, né Catita?
Nesse dia 07/07/06 eu tomei uma bronquinha de leve porque liguei na hora do almoço. E, segundo ele, já tava tarde. Isso porque esperei Deco chegar para ligarmos juntos.
Safadeza pura. Que ele sempre teve (e tem) mais que demais de certeza da enxurrada de amor e importância na vida de todo mundo.

bjs, Ffau

tia lena said...

Para o irmão mais querido, das 4 irmãs e de um irmão silencioso, as homenagens serão sempre um elo de amor eterno, que não se rompe, com inspirações singelas e aconchegantes. E como vocês se renovam, e nos emocionam... bjs

Sarah said...

Cati, que texto lindo! Meus olhos encheram de lágrimas. Você escreve lindamente. Está proibida de parar de escrever nesse blog!! kkk Aliás, já pensou em extrapolar o blog e escrever livros, crônicas, sei lá?! Devia pensar nisso. Um grande beijo, Sarah

Sarah said...

Essa florzinha roxa tinha (deve ter ainda) na casa da vó Dalva. Brinquei muito com essa frutinha... Vc tem na sua casa? :D
Bjs

Sarah said...

Agora que me atualizei no seu blog... Escreve mais!!! kkkk Beijos

Liana said...

Catita, muito lindo e emocionante o seu texto!!! Grande beijo

Cati said...

Beijos! Beijos! Beijos!
A florzinha roxinha eh da casa da vizinha, hehe

Carol said...

Cati, adorei a volta do blog! Saudades dos seus textos emocionantes, criativos e inspiradores. Saudades de você amiga. Concordo com Sara e já te falo isso há algum tempo: você devia escrever para além do blog. Se anima e escreve um livro pra gente se deliciar :) Beijos.